O El Niño, caracterizado por temperaturas da superfície do mar excepcionalmente altas na região central e oriental do Oceano Pacífico tropical, altera os padrões climáticos em todo o mundo.
Na América Latina, ele costuma trazer chuvas mais intensas ao sul, ao mesmo tempo em que aumenta os riscos de seca mais ao norte, afetando a agricultura, a produção de energia, as rotas comerciais e o meio ambiente.
Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, perturbações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e condições de seca já estão afetando partes do Caribe e da amazônia.
Pesquisadores esperam que o fenômeno se intensifique e possa superar a intensidade do El Niño de 2015/16 —o mais forte já registrado na história moderna.
A seguir, apresentamos alguns dos impactos esperados.
Nos férteis Pampas da Argentina, no Paraguai, no Uruguai e no Sul do Brasil, o El Niño costuma trazer chuvas acima do normal. Apesar das preocupações com um El Niño forte ou "super", analistas afirmam que mais água geralmente é benéfica para as culturas.
Germán Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, disse que, assim como em ciclos anteriores, o El Niño poderia impulsionar as safras de soja, milho e trigo, fornecendo umidade ao solo para o plantio e melhorando a disponibilidade de água durante o verão, de dezembro a fevereiro.
O excesso de umidade pode, no entanto, aumentar o risco de doenças fúngicas e levar embora os nutrientes dos campos fertilizados.
Um El Niño mais forte também pode significar que algumas áreas rurais sofrerão inundações, embora essas sejam, em sua maioria, terras geograficamente propensas a tais eventos, disse Heinzenknecht.
Estradas enlameadas ou alagadas podem impedir que os agricultores sul-americanos tenham acesso aos campos, complicando os esforços para aplicar fertilizantes e produtos químicos para proteger a produtividade, comentou o meteorologista.
Muitas das estradas rurais que cruzam os principais centros agrícolas do sul da região já se encontram em más condições.
Chuvas intensas a partir de setembro também podem causar inundações nas cidades e nas rotas de transporte para os portos —o que levou o governo do Paraguai a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia civil em julho.
A costa norte do Peru enfrenta inundações, enquanto as regiões montanhosas sofrem com a escassez de água, um padrão que provavelmente se repetirá no Chile e em outras partes da costa do Pacífico, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).
As temperaturas mais altas do mar também estão levando as espécies de pesca comercial para águas mais profundas e reduzindo as capturas. Essa mudança já afetou o setor pesqueiro do Peru, com uma queda de 31% na atividade nos primeiros cinco meses do ano.
A distribuição irregular das chuvas pode ser uma boa notícia para o crescente setor de exportação de energia da Argentina.
As condições mais quentes e secas previstas para o norte e o oeste do Brasil podem impulsionar a demanda por gás natural argentino para abastecer usinas termelétricas, de acordo com a Olade (Organização Latino-Americana e do Caribe para a Energia).
O sul do Brasil e o nordeste da Argentina, por outro lado, terão um aumento acentuado nas chuvas, elevando o nível do rio Paraná e permitindo maior uso das usinas hidrelétricas ao longo de seu curso.
As chuvas aumentaram nas bacias hidrelétricas do Sul do Brasil em julho, atingindo 256% da média de longo prazo, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema).
Cada El Niño conta uma história diferente", declarou Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, acrescentando que, em algumas áreas do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, às vezes pode chover em uma semana o equivalente a um mês inteiro de chuva.
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As condições mais secas previstas para o Norte do Brasil ameaçam a vasta rede fluvial da Bacia Amazônica, um importante corredor de transporte para o maior exportador mundial de soja.
As previsões também apontam para um risco crescente de seca, calor extremo e incêndios florestais no Brasil, na Colômbia e na Venezuela, ameaçando as safras e a produção pecuária.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.