São Paulo A coalizão Brasil Contra Bets repudiou nesta sexta-feira (18) o manifesto divulgado na véspera por clubes de futebol em defesa dos patrocínios de casas de apostas.
A aliança de 22 organizações afirmou que o argumento de que o setor é indispensável para a sustentabilidade financeira da modalidade ignora o impacto social da atividade.
No manifesto publicado na quinta-feira (17), clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo sustentaram que a proibição de contratos com empresas de apostas, uma hipótese em discussão pelo governo Lula (PT), inviabilizaria o esporte.
Para Lucas Louback, gerente de advocacy do Bonde, organização integrante da coalizão Brasil Contra Bets, o torcedor já paga a conta das bets devido aos efeitos negativos na saúde e na economia.
Endividamento, comprometimento da renda familiar, sofrimento psíquico e uma crise que afeta o meio que o dependente vive. O que está em jogo não é o fim do futebol, mas o fim de um modelo que lucra com as perdas de quem torce.
A coalizão argumenta que a dependência financeira do esporte foi construída recentemente e que a preservação da saúde pública e da proteção ao consumidor deve se sobrepor a contratos privados.
Fortune Tiger é um jogo de caça-níquel para celulares importado de Malta - Reprodução/Fortune Tiger "O futebol existe no Brasil desde o final do século 19. Times patrocinados por casas de apostas são um fenômeno recente e só se tornaram relevantes depois da regulamentação do setor, a partir de 2024.
Se o futebol precisasse de bets para existir, não teria existido antes", diz a nota da campanha.
O grupo apoia o projeto de lei que restringe a propaganda de apostas online e reúne 85 coautores na Câmara dos Deputados de diversos partidos, além de outro projeto similar que avança nas comissões do Senado.
A proposta proibiria os "produtos de alto risco", uma classificação que seria dada aos cassinos online e outras modalidades de apostas com resultados instantâneos.
Quando uma empresa de apostas ocupa a camisa de um time, as placas do estádio, as transmissões e as redes sociais dos clubes, ela transforma a paixão pelo futebol em instrumento de captação de consumidores", diz a campanha.
Carregando... Em declarações ao podcast Desce a Letra Show, na quarta-feira (16), Lula disse ter "disposição pessoal" para acabar com o jogo. "Você lembra quando surgiu o crack.
O cara viciado, ele chegava em casa, vendia o botijão. As bets estão assim. As pessoas estão vendendo o que não têm, se endividando.
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