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Economia

Brasil se aproxima do mundo em desafios e práticas tributárias

Pesquisa da Deloitte aponta que complexidade fiscal ganha força e deve crescer nos próximos anos

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A pesquisa 2026 Global Tax Policy, realizada pela Deloitte, revela que a crescente complexidade regulatória e as exigências de conformidade tributária são os maiores desafios para líderes financeiros no mundo na área fiscal.

A sondagem também indica maior convergência entre as preocupações brasileiras e globais, segundo o sócio-líder de Consultoria Tributária da Deloitte, Luiz Rezende.

A complexidade tributária, problema histórico no Brasil, passou a ser vista internacionalmente como uma preocupação que cresce rapidamente. Estabilidade regulatória e insegurança jurídica, associadas ao ambiente brasileiro, estão agora entre as principais questões para líderes fiscais em outros países.

Visto como um país de sistema tributário único em sua complexidade, o Brasil agora vê o mundo adotar ferramentas que o país utiliza há décadas, como a nota fiscal eletrônica e o reporte em tempo real.

Além disso, enquanto Europa e Ásia correm para digitalizar suas administrações tributárias, o Brasil se alinha às práticas internacionais ao implementar o Pilar 2 e as diretrizes de preços de transferência da OCDE.

O Brasil está começando a alinhar algumas coisas com o mundo, e o mundo a alinhar algumas coisas com o Brasil. As preocupações estão mais parecidas", afirma Rezende.

Segundo a pesquisa, o crescimento da complexidade e das exigências de compliance e reporte é o fator de maior impacto nos negócios entre os temas tributários para cerca de 40% dos entrevistados.

Para 84% dos líderes consultados, a divulgação pública de informações continuará a crescer nos próximos anos.

Rezende afirma que, para navegar nesse novo ambiente, o principal desafio é a qualidade dos dados, uma questão na qual o sistema brasileiro se destaca. Enquanto Europa e Ásia enfrentam dificuldades básicas de estruturação de informações —partindo muitas vezes "do zero ao cem"—, países como o Brasil e o México estão à frente.

Por terem implementado obrigações acessórias digitais (como o ED no Brasil) há cerca de 20 anos, as empresas nesses países já possuem dados estruturados.

Isso permite que o esforço brasileiro se desloque da simples coleta para o uso estratégico da informação, enquanto em outras economias avançadas o fisco ainda sofre com a ausência de dados ou com informações de baixa qualidade que podem, inclusive, levar a erros graves em análises automatizadas.

A edição deste ano de outra pesquisa da Deloitte, a Tax do Amanhã, mostrou que 86% das empresas participantes no Brasil já têm alguma operação fiscal e tributária automatizada, e 36% utilizam aplicações de inteligência artificial na área.

O fato de ter um dado estruturado e arrumado, mesmo que seja por obrigação, ajuda você a aplicar mais rápido e mais fácil a tecnologia", afirma Rezende.

Não é surpresa que países como o Brasil, como o México, estejam proporcionalmente bem mais avançados que alguns outros da Europa e da Ásia na aplicação de inteligência artificial na área fiscal, tanto por parte dos contribuintes quanto por parte do fisco.

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