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Economia

Bill Gates alerta que IA pode causar 'um bilhão de mortes'

Bilionário afirma que autorregulação não basta para conter riscos

4 min de leitura
Economia — imagem padrão

Financial Times A inteligência artificial é poderosa o bastante para matar um bilhão de pessoas se cair em mãos erradas, alertou Bill Gates, ao defender uma regulamentação governamental mais rigorosa da tecnologia.

  • IA pode matar todos os humanos, diz ex-funcionário do Google DeepMind; Bill Gates vê governos despreparados.
  • Bill Gates defende criar reserva de empregos para humanos e cobrar impostos sobre robôs.
  • Fundação Gates manteve contato com Epstein, mas não fez nenhum pagamento, diz investigação.

A IA certamente é poderosa o bastante para desencadear acontecimentos que causem um bilhão de mortes", disse Gates à NBC News. "Portanto, embora seja muito difícil chegar a 100% [da humanidade], nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas mal-intencionadas usando as mais recentes ferramentas de IA.

O debate sobre a segurança da IA ganhou força nas últimas semanas, depois que uma série de incidentes de cibersegurança de grande repercussão lançou dúvidas sobre a capacidade de laboratórios de IA de ponta, como OpenAI e Anthropic, de controlar seus modelos.

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, deixa o Capitólio, em Washington, após prestar depoimento a portas fechadas ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes - Kent Nishimura - 10.jun.

2026/AFP Nesta semana, veio à tona que um sistema da OpenAI havia invadido o site de um serviço público de saúde australiano. A empresa de São Francisco não comunicou o ataque ao governo do país durante meses após o ocorrido, o que o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, classificou como "obviamente inaceitável.

Neste mês, a Anthropic afirmou que militantes iemenitas, supostamente os houthis apoiados pelo Irã, tentaram usar seu modelo de IA Claude para desenvolver softwares de orientação, controle e navegação para mísseis balísticos.

Apesar do crescente alarme no Vale do Silício e da oposição popular cada vez maior à tecnologia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve-se obstinadamente contrário à regulamentação da IA, classificando os temores relacionados à segurança como uma "farsa" e rejeitando o que chamou de "plano globalista" para controlar a tecnologia.

Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, discursaram nesta semana no Conselho de Segurança da ONU e defenderam que os Estados Unidos liderem uma coalizão internacional para estabelecer padrões de segurança para a IA, em meio a apelos mais amplos por uma desaceleração do desenvolvimento de modelos de ponta.

No entanto, uma reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Nova York nesta semana não resultou em nenhum compromisso significativo para conter a tecnologia.

Em uma entrevista realizada na quarta-feira e prevista para ir ao ar neste fim de semana no programa Meet the Press, da NBC, Gates afirmou que Washington "sem dúvida" precisava aprovar uma legislação federal para estabelecer salvaguardas e mecanismos de monitoramento dos avanços da IA.

Ninguém acredita que a autorregulação seja suficiente", disse ele, acrescentando que a legislação traria "um pouco mais de custos para o setor, mas não desaceleraria drasticamente o que essas empresas estão fazendo.

Gates fez uma distinção entre o potencial, no curto prazo, de uso indevido da IA por terroristas ou Estados fora da lei e os alertas de longo prazo sobre "risco existencial" feitos por ativistas de segurança, como Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, que afirmou que muitos desenvolvedores de IA acreditavam que a tecnologia poderia "matar todos nós até o fim da década.

O mais recente alerta do bilionário surge um mês depois de ele pedir que formuladores de políticas públicas classificassem alguns empregos como "reservados a humanos", ao prever uma enorme transformação no mercado de trabalho em um ensaio de 6.

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