O número de argentinos que vivem abaixo da linha da pobreza cresceu no primeiro semestre de 2026, para 9,7 milhões de pessoas, informou o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta quinta-feira (24).
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- 🔎 Para definir se um cidadão argentino está abaixo da linha da pobreza, o Indec considera a renda das famílias e o acesso a necessidades essenciais, como alimentos, vestuário, transporte, educação e saúde.
- 🔎 Segundo o Indec, estão em situação de indigência as pessoas sem acesso a uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína.
Essa é a primeira alta no índice em dois anos.
A pesquisa, que abrange 31 aglomerados urbanos da Argentina, aponta que 32,3% da população está em situação de pobreza. Entre as famílias, são 2,5 milhões — 24,4% do total.
A pobreza vinha caindo desde 2024, quando atingiu 52,9% dos cerca de 47 milhões de argentinos. A melhora do indicador se tornou uma das principais vitrines de Javier Milei e um dos pilares da defesa de seu plano econômico.
O cenário, porém, passou a mudar. Segundo analistas, os avanços sociais impulsionados pela desaceleração da inflação perderam força, e novos progressos dependem cada vez mais da criação de empregos e do crescimento dos salários reais.
A pesquisa do Indec aponta que 2,2 milhões de pessoas estão em situação de indigência, o equivalente a 7,5% da população avaliada. No segundo semestre de 2025, eram 1,9 milhão (6,3%).
Quando observadas as famílias, 600 mil foram consideradas indigentes (5,6%) no primeiro semestre de 2026 — acima das 500 mil contabilizadas nos seis últimos meses de 2025 (4,8%).
Inflação acelera e desemprego aumenta.
O avanço da pobreza ocorre em meio à aceleração da inflação entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Cerca de 30 mil empresas fecharam na Argentina desde a chegada de Milei ao poder. O desemprego subiu para 7,9%, o maior nível desde 2021, e quase metade da população economicamente ativa está na informalidade.
Os cortes de gastos, o fim de subsídios e a flexibilização das importações pressionaram as famílias e parte da indústria voltada ao mercado interno.
O governo Milei sustenta que as medidas são necessárias para equilibrar as contas públicas, restaurar a confiança dos investidores e criar bases para um crescimento sustentável.
Milei chegou ao poder no fim de 2023 com forte apoio de eleitores de baixa e média renda, frustrados após anos de inflação elevada.
Embora seu governo tenha desacelerado a inflação e estabilizado as contas públicas, organizações sociais e assistentes sociais afirmam que mais argentinos estão enfrentando dificuldades para pagar as contas.
O cenário parece corroer o apoio entre os eleitores de menor renda, enquanto Milei se projeta para uma provável candidatura à reeleição em 2027.
Pesquisas recentes mostram forte queda na aprovação do presidente entre os mais pobres, levantando dúvidas sobre sua capacidade de preservar a base eleitoral que foi decisiva para sua vitória.
Enquanto isso, a aprovação caiu para menos de 30%. Um ano antes, os índices eram de 57% e 37%, respectivamente. No total da população, 58% desaprovam Milei, ante 38,1% que o aprovam.
Em números
- Entre as famílias, são 2,5 milhões — 24,4% do total
- A pobreza vinha caindo desde 2024, quando atingiu 52,9% dos cerca de 47 milhões de argentinos
- A pesquisa do Indec aponta que 2,2 milhões de pessoas estão em situação de indigência, o equ
- No segundo semestre de 2025, eram 1,9 milhão (6,3%)
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