Nova York e Londres |Financial Times A aérea Qantas afirmou que seus voos diretos ultralongos serão lucrativos mesmo com a persistência da alta nos preços do combustível de aviação causada pela guerra com o Irã.
Reavaliamos esse plano de negócios e acredito que um dos fatores que continuam a nos dar confiança nesse número é que a demanda por serviços sem escalas continua incrivelmente forte", afirmou nessa terça-feira (22).
Avião da Qantas decola do aeroporto de Sydney - Saeed Khan - 27.ago. 26/AFP A Qantas anunciou que deve iniciar a rota de Sydney a Nova York em meados de 2028. Será a segunda de suas rotas ultralongas a utilizar os novos Airbus A350-1000, especialmente adaptados.
A companhia encomendou 12 dessas aeronaves, que serão equipadas com recursos específicos para a viagem mais longa, incluindo áreas de bem-estar onde os passageiros poderão se alongar.
O voo, que ligará as cidades mais populosas dos Estados Unidos e da Austrália, complementará a rota direta de Sydney a Londres, cujo início está previsto para outubro de 2027 como parte do "Projeto Sunrise", estratégia de voos ultralongos que vem sendo elaborada há cerca de uma década.
A aérea australiana cobrará mais pelas novas rotas de longa distância do que pelos serviços atuais, que exigem uma escala para reabastecimento, mas ainda não anunciou os preços exatos.
O conflito com o Irã neste ano elevou os preços do combustível de aviação, corroendo os lucros das companhias aéreas, mesmo com o aumento nas tarifas na tentativa de recuperar parte dos custos adicionais.
Os preços permaneceram acima do esperado durante meses, impondo custos mais altos às companhias aéreas justamente quando o setor entra nos meses de inverno (verão no Brasil), de menor movimento.
Duas grandes empresas aéreas mundiais entraram em recuperação judicial neste ano —a Spirit, nos Estados Unidos, e a airBaltic, na Europa—, em parte devido aos preços do combustível de aviação.
Hudson afirmou que a confiança da companhia nos voos do Projeto Sunrise decorre da experiência com sua longa rota sem escalas entre Perth e Londres, em operação há mais de oito anos.
Mesmo com o preço do combustível tão alto quanto está, [essa] ainda é a rota de melhor desempenho em nossa malha", disse.
A guerra com o Irã também criou uma oportunidade para a Qantas, que, segundo Hudson, está se beneficiando da demanda de viajantes que desejam ir da Austrália e da Ásia para a Europa, mas não querem passar pela zona de conflito.
Antes do início da guerra, em fevereiro, cerca de metade de todo o tráfego entre Europa e Austrália fazia conexão em aeroportos de grandes centros do Golfo, como Dubai ou Doha.
Hudson, no entanto, disse que veria com bons olhos o retorno das companhias aéreas concorrentes do Golfo.
Queremos isso, porque esse seria o cenário em que o conflito no Oriente Médio teria terminado. Os preços dos combustíveis devem se normalizar ao longo desse processo, e a capacidade das companhias aéreas do Oriente Médio voltará a operar", afirmou.
Provavelmente haverá uma fase de ajuste nesse intervalo, mas, nesse cenário, o resultado em termos de lucro será muito melhor com um preço de combustível mais baixo.
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