Roteiro: André Buchatsky e André Rodrigues.
O filme de Buchatsky busca reconstituir o mundo de João Marcello Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita com Elis – a mãe deles, não a cantora famosa e querida em todo o Brasil – ainda viva.
A rigor, o diretor expande na tela o tocante relato íntimo feito por João no livro “Elis e eu – 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe” (2019), base do roteiro construído por Buchatsky e André Rodrigues com mix de depoimentos, imagens de arquivo, dramatizações e números musicais.
Ao longo da maior parte dos 80 minutos, o coração materno de Elis Regina Carvalho Costa é dissecado e dimensionado, espocando na tela do mesmo tamanho da voz da cantora.
A entrevista de João Marcello Bôscoli é o eixo do roteiro, mas os depoimentos de Pedro Mariano (o filho do meio com quem João Marcelo dividiu quartos durante anos), de Celina Silva (secretária pessoal de Elis), da cantora Wanderléa, de Natan Marques (guitarrista e diretor musical do último show da cantora), de Ione Cirilo (amiga de Elis) e do jornalista Julio Maria (biógrafo de Elis) ajudam a contextualizar o universo particular de Elis com os filhos ao longo da década de 1970 e no início dos anos 1980, precisamente até 19 de janeiro de 1982, dia em que este mundo desmoronou e teve que ser reconstruído sem a presença física da matriarca.
Maria Rita, a caçula de Elis, não gravou depoimento para o filme, mas é ouvida através de breve fala de entrevista dada em 2016 para programa de TV.
Os depoimentos perfilam Elis como mãe extremamente carinhosa, às vezes necessariamente rígida – impressiona a atitude que tomou para educar João Marcelo ao tomar consciência de que o filho, então com seis anos, pegara dinheiro da bolsa da mãe – e sempre zelosa, seja cozinhando com talento que impressionava quem provava da comida de Elis (“Vocês tinham que me ver cantando”, brincou, diante dos elogios recebidos pelo tempero), frequentando reuniões escolares ou cultivando uma horta.
Tudo isso em meio à rotina profissional de uma cantora que lançava um álbum por ano e vivia fazendo shows pelo Brasil.
Recorrentes no roteiro, com Antônio Menqui e Vitor Constantino representando João Marcelo Bôscoli em diferentes idades, as dramatizações escapam por pouco da artificialidade por conta da atuação de Lilian Menezes, que interpreta Elis no documentário, revivendo a personagem que encarou no palco no espetáculo “Elis, a musical”.
Impressiona o canto do samba “Madalena” (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1970) na voz de Lilian porque a intérprete chega perto do registro original de Elis, ainda que o número musical esteja sem função no roteiro.
Permeado por falas da própria Elis Regina sobre a maternidade, extraídas de entrevistas para programas de TV, o documentário “Elis & eu” descortina um poucos dos bastidores da vida privada de Elis, ampliando o relato íntimo e pessoal do livro de João Marcelo Bôscoli, o pré-adolescente de 11 anos que teve que seguir a vida sem os superpoderes da mãe.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Pop & Arte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.