Artistas: Caetano Veloso e Cézar Mendes.
Passaram-se anos entre a intenção e a realização, mas eis que “João” chegou ao mundo ontem, sexta-feira, 25 de setembro, como amostra inicial do segundo álbum de Cézar Mendes, o primeiro em que o artista se apresentará como intérprete, dando ele próprio voz a um cancioneiro autoral composto geralmente em parceria com Arnaldo Antunes, letrista de “João” e dos outras músicas do álbum previsto para ser lançado em novembro em edição da Uns Produções.
Só que, no caso de “João”, quem canta a música sozinho é mesmo Caetano Veloso em gravação que faz todo sentido dentro da trajetória do baiano tropicalista, devoto de João Gilberto desde 1958.
E tudo se afina não somente porque foi Caetano Veloso quem apresentou o conterrâneo santo-amarense Cézar Mendes ao Brasil como compositor – em 1998, 40 anos após a revolução de João – ao abrir parceria com o violonista na criação de “Aquele frevo axé”, samba cheio de bossa lançado na voz de Gal Costa (1945 – 2022) como música-título do álbum lançado pelo cantora naquele ano de 1998.
Quando Caetano canta os versos de “João”, louvando um dos mestres da música brasileira, é como se ele estivesse fazendo uma volta ao começo e fazendo bater novamente “Coração vagabundo”, a canção de 1967 que abriu o álbum dividido por Caetano com a mesma Gal Costa, então a Gracinha também devota de João.
Tudo ali naquele dueto seminal era João e, por isso, tudo se encaixa agora em 2026.
A gravação de “João” por Caetano ecoa o dueto com Gal em 1967 inclusive por mostrar que, para ir na essência de uma canção – a lição maior deixada por João – nem sempre é preciso optar pela economia instrumental.
Diferentemente do que faz supor a foto de Bob Wolfenson na capa do single “João”, a gravação rejeita o formato minimalista de voz e violão. As cordas da St. Petersburg Studio Orchestra envolvem a gravação produzida e arranjada com esmero por Mario Adnet, também violonista da banda que inclui músicos como o ritmista Marcelo Costa (com bateria de toque reverente à leveza exigida por João Gilberto), o baixista Jorge Helder, o pianista Marcos Nimrichter e o flautista Eduardo Neves.
Parece muito, e é mesmo, mas tudo e todos estão em fina sintonia com João Gilberto.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…