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'Aquarelas' de Ary Barroso e Tom Jobim colorem com a bossa brasileira o show de Dionne Warwick no Rio de

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'Aquarelas' de Ary Barroso e Tom Jobim colorem com a bossa brasileira o show de Dionne Warwick no Rio de

Na década de 1990, precisamente a partir de 1993, Dionne começou a circular por Rio de Janeiro (RJ) e de Salvador (BA), passando temporadas nessas cidades enquanto gravava um álbum com músicas brasileiras, “Aquarela do Brasil”, disco produzido por Téo Lima, batizado com o nome do antológico samba-exaltação de Ary Barroso (1903 – 1964) – gravado por Dionne na versão em inglês escrita por Bob Russell (1914 – 1970) em 1942 e intitulada “Brazil”– e lançado em 1994 com repercussão comercial muito aquém do esperado pela cantora, efeito creditado pela artista ao pouco investimento da gravadora Arista na promoção do álbum.

A intensa relação de Dionne Warwick com a música do Brasil ficou evidenciada mais uma vez no roteiro do show apresentado pela cantora na casa Vivo Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, sábado, 17 de outubro.

A apresentação faz parte da perna brasileira da turnê mundial de despedida de Dionne, “Over and out – A farewell tour”, ainda em rotação pelo Brasil e com apresentações agendadas em Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

A dois meses de completar 86 anos, em 12 de dezembro, Dionne Warwick tem usado inteligentemente a voz em tons mais baixos que se ajustam à bossa brasileira.

Na estreia carioca da turnê, a artista recorreu a essa bossa em bloco com músicas do Brasil em versões em inglês. A primeira foi “Garota de Ipanema” – samba apresentado em show pelos compositores Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980) no mesmo ano de 1962 em que Dionne lançou o primeiro single solo com uma canção de Burt Bacharach e Hal David, “Don't make me over” – na versão em inglês escrita em 1963 por Norman Gimbel (1927 – 2018).

Na sequência, um batuque ancestral introduziu um dos sambas mais famosos de Ary Barroso, “Na Baixa do Sapateiro” (1938), cantado por Dionne em inglês na versão de Ray Gilbert (1912 – 1976) intitulada “Bahia”, em clima de bossa nova, arriscando alguns versos em português como “Meu Senhor do Bonfim / Arranje uma morena igualzinha para mim”.

Em seguida, a cantora reproduziu parte do medley de músicas de Tom Jobim com que abriu o já mencionado álbum “Aquarela do Brasil”. No medley com jeito de pot-pourri, Dionne encadeou trechos de “Quiet nights of quiet stars (Corcovado)” (Antonio Carlos Jobim, 1960, em versão inglês de Gene Lees, 1965), “Wave” (Antonio Carlos Jobim, 1967) e “Waters of march” (Antonio Carlos Jobim, 1972).

Fechando o bloco brasileiro do roteiro do show da “Over and out – A farewell tour”, Dionne Warwick pintou uma “Aquarela do Brasil” de tonalidade quase épica, fazendo gingar com bossa o Brasil do amor dessa grande cantora norte-americana.

A artista encerrou a elegante apresentação reafirmando o amor pelo país e dizendo que o público carioca não iria mais ouvi-la cantar no palco, mas que ainda iria vê-la no shopping center, na praia, enfim, na vida que Dionne Warwick ainda pretende viver no Brasil após sair de cena.

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