O cavalo é um dos principais símbolos do país. Pode ser visto em roupas, bichos de pelúcia, pintado em muros e ilustrando marcas comerciais. Trazê-lo para o território é devolver uma fonte de orgulho nacional, diz o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg.
Conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, o animal recebeu esse nome após o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviar espécimes encontrados na Ásia Central para cientistas europeus, no fim do século 19.
O takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje. Outros animais chamados de cavalos selvagens são, na realidade, descendentes de cavalos domesticados que voltaram a viver livres na natureza.
Geneticamente, o takhi também se diferencia do cavalo doméstico: tem 66 cromossomos, contra 64 dos animais domesticados. É um pouco menor, tem focinho mais claro e uma cauda menos espessa.
A descoberta do animal pelos europeus despertou rapidamente o interesse de colecionadores e de zoológicos. Entre 1897 e 1903, expedições capturaram 88 cavalos na Mongólia.
Apenas 54 chegaram vivos ao destino e somente 12 deixaram descendentes.
Enquanto isso, a população selvagem continuava a desaparecer. O último takhi foi avistado na Mongólia em 1968. Depois, não houve novos registros, e a espécie foi declarada extinta na natureza.
A sobrevivência passou então a depender dos descendentes mantidos fora de seu habitat original.
Na década de 1970, uma organização criada por conservacionistas holandeses iniciou um programa de reprodução para reorganizar e ampliar a população cativa.
Os animais foram transferidos para reservas com condições mais próximas da vida selvagem, e cientistas passaram a planejar o retorno à Mongólia, em parceria com a Associação Mongol para a Conservação da Natureza e do Meio Ambiente.
Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar a reintrodução em Hustai. Até o ano 2000, foram realizadas cinco operações de transporte, que levaram 84 animais ao país.
Antes de serem soltos definitivamente, os cavalos passaram por um período de adaptação em áreas cercadas.
O processo de adaptação funcionou. A população cresceu e passou a se reproduzir livremente nas estepes. Além dos mais de 300 animais que vivem no parque nacional, há duas populações reintroduzidas em outras áreas protegidas da Mongólia, elevando o total do país a cerca de 800 animais.
Para Dashpurev Tserendeleg, o caso mostra que a cooperação internacional pode evitar o desaparecimento definitivo de uma espécie. O parque, criado em torno do projeto de reintrodução, abriga hoje uma das três populações do animal no país.
Com 50 mil hectares, Hustai é um dos menores parques nacionais da Mongólia. A área é gerida por uma organização não governamental, sem subsídios regulares do Estado.
Cerca de 90% de sua receita vem do turismo.
A conservação do takhi nas próximas décadas está diretamente ligada à proteção das estepes, cada vez mais pressionadas pela mudança climática e pelo aumento do número de animais domésticos, que pressionam o solo já degradado.
A Mongólia tem hoje cerca de 58 milhões de animais de rebanho, segundo o Censo 2025 do Escritório Nacional de Estatísticas. São principalmente ovelhas, cabras, vacas e cavalos.
O excesso de animais em determinadas áreas, combinado com secas e invernos extremos, tem provocado degradação dos pastos.
A proteção e restauração da terra são temas centrais na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital do país.
O evento reúne governos para discutir formas de combater a desertificação, restaurar terras degradadas e fortalecer a resiliência diante da seca.
No entorno do parque, a estratégia tem sido tentar criar alternativas econômicas para as famílias nômades, reduzindo a dependência exclusiva da pecuária e, consequentemente, a pressão para aumentar os rebanhos.
O parque apoia iniciativas como turismo comunitário, agricultura em estufas e artesanato.
*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
Em números
- A Mongólia tem hoje cerca de 58 milhões de animais de rebanho, segundo o Censo 2025 do Es
Fontes
Informação baseada em material público de Agência Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.