O número de crianças e adolescentes acolhidos no estado do Rio de Janeiro aumentou 10,8% em 2026, segundo o 37º Censo da População Infantojuvenil Acolhida, que foi apresentado nesta sexta-feira (25) pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
- Abusos físicos ou psicológicos: 148 (8%).
- Abandono pelos pais ou responsáveis: 139 (7,5%).
- Em razão da própria conduta: 84 (4,5%).
- Transferência de outro regime de atendimento: 77 (4,2%).
- Abuso sexual ou suspeita de abuso sexual: 76 (4,1%).
Ao todo, foram registrados 1. 854 crianças e adolescentes em serviços de acolhimento neste ano. No mesmo período de 2025, eram 1. 673.
A negligência aparece como o principal motivo para o acolhimento, responsável por 46,1% dos casos.
Os dados são produzidos a partir das informações registradas no Módulo Criança e Adolescente (MCA), sistema mantido pelo MPRJ desde 2007 para acompanhar a situação de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar.
O levantamento também traça o perfil das crianças e adolescentes acolhidos. Pretos e pardos representam 79,1% do total: são 1. 467 dos 1. 854 acolhidos. Entre eles, 860 foram registrados como pardos e 607 como pretos.
A distribuição por idade mostra uma concentração importante na primeira infância.
O número de meninos e meninas é praticamente idêntico: são 928 do sexo masculino e 926 do feminino.
O próprio MPRJ destaca que, na comparação histórica, houve avanço da participação da primeira infância entre os acolhidos, além de uma redução do tempo médio de institucionalização e de uma desconcentração dos acolhimentos em relação à capital.
O censo aponta ainda 202 crianças e adolescentes aptos à adoção, o equivalente a 10,9% de toda a população acolhida.
A maior parte, no entanto, já passou da primeira infância. Entre os aptos, 80 têm entre 12 e 15 anos e 56 têm entre 16 e 18 anos. Há 33 crianças de até 6 anos e outras 33 entre 7 e 11 anos.
Além disso, 158 dos 202 aptos à adoção são pretos ou pardos, 36 têm algum tipo de deficiência e 91 apresentam doenças que, segundo os critérios adotados pelo censo, podem influenciar a colocação em família substituta.
O levantamento considera aptos à adoção os acolhidos que estão juridicamente liberados para colocação em uma família substituta — por exemplo, após destituição definitiva do poder familiar, em casos de orfandade ou quando a filiação é desconhecida.
Mais de 200 estão acolhidos há pelo menos 3 anos.
Apesar de o acolhimento ser uma medida que deve ter caráter provisório, 201 crianças e adolescentes estão no sistema há mais de três anos.
São 81 entre três e quatro anos; 51 entre quatro e cinco anos; 62 entre cinco e dez anos; e 7 que permanecem acolhidos há mais de uma década.
A maior parcela, porém, está há menos tempo no sistema: 707, ou 38,1%, foram acolhidos há menos de seis meses. Outros 374 estão entre seis meses e um ano.
A legislação estabelece como regra que a permanência em programa de acolhimento não ultrapasse 18 meses, salvo quando houver necessidade comprovada e fundamentada pela Justiça.
Capital concentra 1 em cada 4 acolhidos.
Na capital, 234 dos 476 acolhidos não recebem visitas, e 48 estão aptos à adoção.
Em números proporcionais à população, porém, municípios menores aparecem no topo. Duas Barras tem a maior taxa do estado, com 6,375 crianças e adolescentes acolhidos para cada 10 mil habitantes, seguida de Cardoso Moreira (6,174) e Paty do Alferes (6,077).
O MCA reúne informações inseridas por serviços de acolhimento, Conselhos Tutelares, Promotorias de Justiça, Juízos da Infância e Juventude e outros órgãos da rede de proteção.
Os números do censo retratam quem estava em acolhimento institucional ou familiar em 30 de junho de 2026.
Em números
- RJ tem 1,8 mil adolescentes e crianças acolhidos, com alta de 10
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