A engrenagem teria sido utilizada para recepção, transferência, fragmentação e circulação de recursos provenientes de uma central de golpes financeiros vinculada ao Comando Vermelho (CV), a qual seria operada por Ximba.
Levantamentos da PCERJ apontam que a célula criminosa estaria inserida em uma estrutura subordinada às lideranças de Edgar Alves de Andrade, vulgo “Doca”, um dos principais chefes do CV, e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”.
Ximba ainda mantinha atuação direta com Nikolas Fernandes Soares, o “Hurley”, preso durante a Megaoperação Contenção, deflagrada em 28 de outubro de 2025. Hurley era gerente do tráfico de drogas no Complexo da Penha e operador financeiro ligado a Doca.
As diligências revelaram que Ximba e Nikolas atuavam de forma coordenada na movimentação, pulverização e dissimulação de recursos ilícitos, inclusive valores oriundos do tráfico de drogas, utilizando, para isso, contas de laranjas, pessoas jurídicas e empresas com características de fachada sediadas em diferentes estados do país.
No caso de Ximba, os elementos mais recentes indicam que essa engrenagem financeira também estava associada à administração de uma estrutura voltada à aplicação sistemática de fraudes e golpes financeiros, cujos recursos eram posteriormente inseridos no circuito de movimentação e ocultação da organização criminosa.
Parte do mecanismo consistia em receber ou disponibilizar dinheiro em espécie — inclusive proveniente do tráfico de drogas — e realizar a correspondente compensação por meio de Pix, transferências bancárias e contas de laranjas ou empresas utilizadas para a circulação dos valores.
A atuação de Ximba foi aprofundada a partir da análise de dados telemáticos vinculados a Nikolas.
As conversas revelaram uma dinâmica habitual de transferências bancárias, utilização de contas e empresas de terceiros, saques, circulação de elevadas quantias e conversão de valores em espécie em transferências bancárias, evidenciando a integração entre a central de fraudes operada por Ximba e a estrutura financeira utilizada pelo CV para movimentar e dissimular dinheiro do crime.
O aprofundamento financeiro também revelou indícios de utilização de pessoas próximas a Ximba para recepção e circulação de recursos, inclusive sua companheira.
Relatórios de inteligência financeira identificaram fortes indícios de que contas vinculadas à mulher possam ter sido utilizadas como extensão da estrutura de movimentação financeira atribuída ao investigado, inclusive com recepção de valores de empresas com características de fachada localizadas em Rondônia.
A PCERJ destacou que a descoberta evidencia mais uma forma de exploração econômica da dominação territorial exercida pelo Comando Vermelho, demonstrando que o controle armado e fortificado de determinadas comunidades não se presta apenas à proteção das atividades tradicionais do tráfico de drogas, mas também à criação de um ambiente de segurança e impunidade para o desenvolvimento de estruturas paralelas de obtenção, circulação e lavagem de recursos ilícitos.
Em números
- Preso no Galeão, operador do CV movimentou R$ 50 milhões em um ano
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