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O bem-estar animal começa pelo cocho

Como a alimentação influencia o comportamento, a saúde e o equilíbrio emocional de bovinos de corte e leiteiros.

4 min de leitura
O bem-estar animal começa pelo cocho

A nutrição, mais do que um meio para garantir ganho de peso ou aumento de produção, é o ponto de partida para a saúde física, mental e emocional dos animais.

Segundo Edvaldo Geraldo Júnior, professor de Medicina Veterinária do Centro Universitário FAG, uma alimentação ajustada às necessidades de cada categoria animal é essencial para manter o rúmen em bom funcionamento e preservar o sistema imunológico.

O rúmen é o maior compartimento do estômago dos bovinos e de outros ruminantes, sendo considerado o “coração” do processo digestivo desses animais. Ele funciona como uma grande câmara de fermentação natural, onde vivem milhões de microrganismos, como bactérias, fungos e protozoários, responsáveis por quebrar e digerir os alimentos fibrosos, como o capim e o feno.

Esse processo libera ácidos graxos voláteis, que são a principal fonte de energia para o animal. Além disso, o rúmen tem papel essencial na ruminação, ou seja, quando o bovino regurgita o alimento para mastigá-lo novamente, facilitando a digestão.

Quando o cocho revela desequilíbrio.

Sinais sutis podem indicar que algo vai mal na dieta. De acordo com o professor, os primeiros alertas de um manejo alimentar inadequado são a baixa ruminação, a inquietação e os mugidos.

Nutrientes essenciais: os 6 pilares da alimentação bovina.

Água: É o nutriente mais importante, essencial para todas as funções vitais, digestão, termorregulação e transporte de nutrientes.

Carboidratos fibrosos: Presentes nas forragens, mantêm a saúde do rúmen e estimulam a ruminação, prevenindo distúrbios digestivos.

Carboidratos não fibrosos: Fornecem energia rápida para ganho de peso e produção de leite; o excesso pode causar acidose e timpanismo.

Proteínas: Fornecem aminoácidos indispensáveis ao crescimento, reprodução e formação de tecidos como músculos, pele e casco.

Lipídios: Aumentam a densidade energética da dieta e ajudam a manter o balanço energético positivo, especialmente em vacas de alta produção.

Minerais e vitaminas: Regulam o metabolismo, fortalecem ossos, imunidade e reprodução; desequilíbrios podem causar distúrbios como a hipocalcemia.

Corte e leite: necessidades diferentes, um mesmo desafio.

A diferença entre o gado de corte e o leiteiro vai além da aparência. “O metabolismo da vaca de leite se assemelha ao de um atleta de alto rendimento, com uso eficiente de nutrientes e pouca margem para erros”, compara Edivaldo.

Já no gado de corte, a meta é transformar pasto e suplementos em carne de qualidade, respeitando as fases produtivas. Durante a cria, o foco é garantir que a mãe se mantenha saudável e o bezerro desmame forte.

Na recria, o objetivo é o crescimento com suplementação leve. Na engorda, o desafio é o ganho muscular e, posteriormente, o acabamento de gordura.

Em vacas leiteiras, as fases de lactação e período seco exigem ajustes constantes para evitar o desgaste e preparar o animal para o próximo ciclo produtivo.

Equilíbrio reflete no comportamento.

Distúrbios como acidose ruminal, laminite e hipocalcemia impactam diretamente o bem-estar e a produtividade.

Essas condições afetam não apenas a produção de leite e carne, mas também a qualidade de vida do animal, um indicador cada vez mais valorizado pelo mercado e pelos consumidores.

Um futuro de bem-estar e produtividade.

O olhar do produtor é peça-chave nesse processo. Observar o comportamento, a pelagem, o apetite e o consumo de água são atitudes simples que podem prevenir doenças e melhorar o desempenho geral do rebanho.

A nutrição de precisão, ajustada ao tipo de animal, à fase produtiva e às condições climáticas, é o caminho para uma pecuária mais ética, sustentável e rentável.

Como reforça o professor Edivaldo, o bem-estar animal não depende apenas de instalações adequadas ou manejo cuidadoso: “Um animal que come bem, sente-se bem. E isso se reflete em todos os índices produtivos”.

No campo, o cuidado começa no cocho e dele depende todo o equilíbrio entre produtividade, saúde e respeito à vida.

Texto produzido por Daniela Dalmoro, acadêmica do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 24ª edição da Revista Verbo, veiculada na 5ª edição do City Farm FAG.

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