Antes mesmo de preparar o próprio café da manhã, Cecília já está na cozinha cortando frutas para uma turma de visitantes que aparece todos os dias em sua casa, no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.
São dezenas de passarinhos que chegam voando para aproveitar o banquete preparado pela moradora.
Há cerca de três anos, ela mantém uma rotina de alimentar aves que vivem livres pela região. O cardápio inclui mamão, maçã, banana, uva, sementes de girassol e água fresca.
Tudo servido em espaços que ela adaptou especialmente para receber os animais.
A tradição começou com algumas pombinhas que apareciam perto da casa. Cecília passou a oferecer sementes e, algum tempo depois, recebeu a visita de um periquito.
No dia seguinte, ele voltou acompanhado.
Desde então, a casa virou ponto de encontro de diferentes espécies, entre elas maracanãs, periquitões, maritacas, sabiás e rolinhas.
Logo cedo, Cecília organiza as frutas em uma tábua instalada na parte superior da casa. Os pássaros chegam aos poucos, vindos das árvores próximas, e se aproximam para comer.
Alguns já estão tão acostumados com a presença da moradora que aceitam alimentos diretamente de sua mão.
Cecília também reconhece alguns dos visitantes mais frequentes. Um deles é chamado de Pouca Pena. Outro, apelidado de Bentinho, tem parte do bico danificada.
A rotina de alimentação começa antes do amanhecer. Por volta das 7h30, Cecília recolhe as sobras da primeira refeição e limpa o espaço.
Mas o expediente ainda não terminou.
Perto das 8h, ela prepara uma segunda área de alimentação, desta vez na parte de baixo da casa. O espaço tem tijolos vazados e pedaços de madeira onde as aves menores conseguem comer sem disputar espaço com as maiores.
É nessa hora que maritacas, sabiás e rolinhas encontram mais tranquilidade para aproveitar a comida.
Só depois de alimentar toda a turma Cecília finalmente toma seu próprio café da manhã.
A relação com os passarinhos, porém, vai muito além da alimentação.
Cecília contou que começou a receber as aves em um período especialmente difícil de sua vida, há cerca de três a quatro anos. Segundo ela, a obrigação de levantar todos os dias para cuidar dos animais ajudou a recuperar sua disposição.
Hoje, ela diz que é grata pela companhia dos visitantes.
Aves da família dos psitacídeos, como maracanãs, periquitos e maritacas, têm se tornado cada vez mais comuns na capital paulista.
Esses animais possuem bicos fortes e curvos, adaptados para quebrar sementes e frutos.
A perda de áreas naturais no interior do estado é apontada como um dos fatores que levam essas aves a buscar alimento e abrigo em áreas urbanas.
Na casa de Cecília, elas encontraram um lugar onde há comida, água e uma moradora disposta a recebê-las diariamente.
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