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Mais do que cerveja: bancário transforma lembranças da família em marca artesanal no interior de SP

Morador de Regente Feijó (SP), Cláudio Izumi Hirokado Junior transformou um hobby em negócio e fez da cervejaria Kurau uma homenagem aos pais, às origens japone

5 min de leitura
Mais do que cerveja: bancário transforma lembranças da família em marca artesanal no interior de SP

Se tem uma bebida capaz de reunir pessoas e criar memórias, é a cerveja. Em Regente Feijó (SP), o bancário Cláudio Izumi Hirokado Junior decidiu fazer o caminho inverso: transformou as próprias lembranças em uma marca artesanal. Os rótulos homenageiam o pai e a mãe, o nome da cervejaria, Kurau, nasceu de um apelido de infância e até as cores carregam referências à história da família.

Formado em Engenharia Ambiental, Cláudio descobriu a paixão pela cerveja artesanal enquanto morava em Jaraguá do Sul (SC), onde trabalhou nas obras de duplicação da BR-280. Foi nos bares da cidade, conhecidos pela produção própria de cervejas artesanais, que passou a conhecer novos estilos da bebida.

"Comecei a aprender mais sobre os estilos de cerveja e surgiu a vontade de me aventurar nesse mundo da cerveja artesanal", relembra ao g1.

Ao voltar para o Oeste Paulista, Cláudio ganhou do pai um kit para fabricação caseira de cerveja. A produção começou como um hobby durante o desemprego, mas ganhou outro significado após a morte dele, em 2018. Hoje, o rótulo vermelho faz referência ao pai, ao São Paulo Futebol Clube e à paixão que os dois compartilhavam pela bebida. Já o amarelo homenageia a mãe, descrita por ele como sua "maior riqueza".

"Como não pude homenagear meu pai em vida, decidi fazer a homenagem para a minha mãe em vida. A garrafa é amarelo ouro porque ela é a minha maior riqueza", conta.

O nome Kurau também nasceu dentro de casa. Descendente de japoneses, Cláudio era chamado de "Kuraudio" pelos parentes, já que a língua japonesa não possui o som da letra L. Quando ele era criança, os amigos ouviam a pronúncia e o apelidaram de Kurau. O apelido "pegou" e acabou batizando a cervejaria.

O hobby começou a ganhar novos rumos quando Cláudio passou a presentear clientes com garrafas de cerveja artesanal. Na época, ele preparava sushis para vender enquanto buscava uma recolocação profissional. Quem comprava as barcas maiores recebia uma garrafa como brinde.

O aumento da procura fez com que ele buscasse orientação no Sebrae para regularizar a atividade. Sem recursos para montar uma fábrica própria, optou pelo modelo conhecido como cervejaria cigana, em que a produção é realizada utilizando a estrutura de outra empresa.

"Montar uma fábrica exigiria um investimento muito alto. A alternativa foi produzir usando a estrutura de outra cervejaria", explica.

Atualmente, a Kurau tem CNPJ em Regente Feijó e a produção é em parceria com uma cervejaria de Campinas (SP). Foi nesse modelo que as receitas ganharam forma. Com auxílio de um dos sócios da fábrica, Cláudio ajustou detalhes como sabor, amargor, espuma e coloração até chegar ao resultado que buscava.

"Ele foi me orientando até eu chegar ao ponto que queria, no sabor, no amargor, na espuma e na coloração", afirma.

Hoje, a marca produz dois estilos: uma Irish Red Ale, identificada pela garrafa com rótulo vermelho, e uma Belgian Blonde Ale, de rótulo amarelo.

A escolha dos estilos também foi pensada para fugir do convencional. Segundo Cláudio, quando começou a produzir, em 2018, a maior parte das cervejas consumidas na região era do tipo Pilsen ou Lager. Ao mesmo tempo, as IPAs ganhavam espaço entre as cervejas artesanais.

"Eu não queria fazer o que todo mundo já fazia e nem trazer mais do que todo mundo estava trazendo. Queria apresentar outros estilos de cerveja para as pessoas", diz.

A Red Ale chamou a atenção pela coloração avermelhada, enquanto a Belgian Blonde se tornou, ao longo dos anos, o carro-chefe da marca.

Além das receitas, a identidade visual também reforça a história da cervejaria. Os rótulos foram desenvolvidos pela designer Rafaela Oshiro, de Regente Feijó, e trazem referências à ascendência japonesa da família. Entre os elementos estão um templo japonês e uma carpa, símbolo de perseverança na cultura oriental.

"A carpa representa perseverança. É aquela ideia de persistir em busca daquilo em que a gente acredita", explica.

Os principais insumos utilizados na produção, como cevada, lúpulo e levedura, são importados. Já as garrafas, tampas, rótulos e embalagens são adquiridos de fornecedores brasileiros.

Apesar da produção profissional, Cláudio afirma que a cervejaria continua sendo uma atividade movida principalmente pela paixão. Hoje, ele concilia o negócio com o trabalho como bancário e diz que não pretende abrir mão da proposta que deu origem à marca.

"Eu faço porque gosto. Claro que a empresa precisa dar retorno, mas começou como um hobby e continua sendo um prazer. Quero apresentar para as pessoas os estilos de cerveja de que eu gosto", afirma.

A opção pelas garrafas também segue essa filosofia. Embora reconheça que a venda de chope seja mais rentável, ele prefere investir na apresentação do produto. Segundo Cláudio, muitas pessoas compram as cervejas para presentear e algumas chegam a guardar as garrafas por causa da identidade visual.

"Tem gente que compra outra garrafa porque não quer abrir a primeira. Gosta de deixar guardada pela história e pelo rótulo", conta.

Entre os planos para o futuro estão o lançamento de um novo rótulo e a ampliação da distribuição para outras cidades da região. O principal desafio, segundo ele, é conciliar a cervejaria com o trabalho no banco e competir com grandes fabricantes, que produzem em larga escala e possuem maior presença no mercado.

Mesmo assim, Cláudio acredita que a cerveja vai além da bebida em si.

"Não existe uma cerveja perfeita. A cerveja perfeita depende do momento e das pessoas que estão com você. É isso que eu tento passar com a Kurau", conclui.

Fontes

Informação baseada em material público de G1, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

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