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Brasil

Lula 4, na geopolítica do apocalipse (por Felipe Sampaio)

Lula precisará incorporar à Estratégia Nacional de Defesa medidas de adaptação ao caos climático em curso

3 min de leitura
Lula 4, na geopolítica do apocalipse (por Felipe Sampaio)

Devido à mudança climática que segue desgovernada, é inadiável implementar um novo significado de Soberania Nacional, em seu sentido mais amplo. A começar pela simulação e pela compreensão dos possíveis cenários de acirramento da competição global por recursos vitais (água potável, terras agricultáveis, minerais, climas habitáveis, biodiversidade e energia) e suas repercussões sobre o Desenvolvimento e a vida no Brasil, de maneira geral.

Não é de hoje, o Secretário-Geral da ONU, Antônio Guterres, alerta que: “O planeta se aproxima do caos climático irreversível”. Para quem não quis entender, completou que “Estamos perdendo a luta por nossas vidas”.

O ponto mais importante da declaração de Guterres é que o novo normal daqui pra frente será o caos, no sentido científico da palavra. A coisa sai do controle e ninguém sabe mais como termina.

Acontece que a Soberania abrange as diversas funções do Estado, além da proteção militar do território. O caos climático iminente amarra as agendas de meio ambiente e Soberania, em torno de questões como: acesso a alimentos e água, migrações, energia, comunicações, infraestrutura, segurança e equidade social.

A exemplo de outros países (com um olho na missa e outro no padre), em seu quarto mandato o Presidente Lula precisará incorporar à Estratégia Nacional de Defesa (supondo que o Parlamento brasileiro já tenha aprovado alguma estratégia) medidas de adaptação ao referido caos climático em curso.

Já dizia o general da reserva Sergio Etchegoyen, ex-ministro do GSI, “Soldados e cercas não podem proibir um desastre climático de atravessar a fronteira. Mudança climática é um fenômeno planetário”.

No Brasil, dois atores da geopolítica climática (a sociedade civil e setores militares) têm dialogado sobre as relações – físicas e políticas – entre a mudança climática e a Soberania latu sensu.

Ambos com a consciência de que o clima é um sistema dinâmico, assim como a Soberania, mais fácil de bagunçar do que consertar. Vale conhecer a experiência do think tank Centro Soberania e Clima.

Cientistas e organizações recomendam colaboração transfronteiriça no tratamento dos impactos da mudança do clima sobre a infraestrutura, economia, moradia, segurança e saúde.

Ao agirem assim, não advogam contra as soberanias nacionais. Ao contrário, dão a receita para resguardá-las.

Não é à toa que autoridades da Defesa mundo afora incorporam o clima como fator estratégico nas decisões militares, com preocupação legítima com a incerteza sobre o futuro da Soberania nas suas regiões.

O atual governo ianque varreu o assunto pra baixo do tapete, mas o então presidente Joe Biden advogava que o tema das mudanças climáticas entrasse na agenda o Conselho de Segurança da ONU, como parâmetro para ações militares.

Na Europa as mudanças climáticas também estiveram na mesa de debates da geopolítica, pelo menos, até a guerra da Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio bagunçarem o meio de campo.

Alguns documentos das Forças Armadas brasileiras também já preveem a redução das emissões de carbono em suas atividades e a atenção com instalações militares vulneráveis a desastres climáticos.

Uma abordagem ainda muito acanhada e pontual. Importante mesmo é que o campo progressista da política brasileira considere o caráter estratégico para o Desenvolvimento do país de se debater seriamente nossa concepção de Defesa e Soberania, não apenas em face das bravatas do Tio Sam, mas, principalmente, diante da escalada desenfreada do aquecimento global.

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