Consumir pouco sal pode prejudicar a memória tanto quanto o excesso, segundo um estudo publicado nessa quinta-feira (1º/10) na revista Food Research International.
A pesquisa analisou como diferentes níveis de sódio na dieta afetam o cérebro, o intestino e o desempenho em testes de memória. Os experimentos foram feitos usando camundongos com microbiota intestinal de origem humana.
Os animais foram alimentados por 14 semanas com dietas de baixo, normal ou alto teor de sal. Os testes indicaram que tanto a ingestão reduzida quanto a elevada de sal comprometeram a memória.
Em comparação com os animais que consumiram níveis considerados normais, os outros grupos tiveram pior desempenho em tarefas de memória de curto e de longo prazo.
Os pesquisadores avaliaram funções como reconhecimento de objetos e orientação em um labirinto. Nos dois casos, os animais expostos a dietas extremas tiveram mais dificuldade.
Alterações no cérebroNo hipocampo — região ligada à formação de memórias — foram observadas mudanças em proteínas essenciais para o funcionamento dos neurônios.
Entre elas estão SYN1, PSD95 e BDNF, além de redução na ativação de CREB. Essas moléculas participam dos processos de comunicação entre células nervosas e da formação de novas memórias.
A diminuição desses elementos esteve associada ao pior desempenho nos testes. udo diz que dieta rica em sal acelera perda de memória em homens SaúdeAnvisa proíbe marcas de sal sem registro vendidas na internet Diferenças nos mecanismosApesar de levarem a um resultado semelhante, os dois tipos de dieta afetaram o organismo de formas diferentes.
A ingestão baixa de sal interferiu diretamente nos sinais químicos que chegam ao cérebro a partir do intestino. Já o consumo elevado aumentou sinais inflamatórios no sangue e alterou a composição da microbiota intestinal.
Nos animais que consumiram mais sal, houve redução de substâncias produzidas por bactérias intestinais, como propionato e butirato, além de aumento de marcadores de estresse oxidativo.
Papel do intestinoOs pesquisadores focaram na relação entre intestino e cérebro. Para isso, eliminaram as bactérias naturais dos camundongos e introduziram microbiota de doadores humanos.
O modelo permitiu observar como mudanças na dieta afetam não apenas o cérebro, mas também os microrganismos intestinais e os compostos produzidos por eles. Os resultados indicam que tanto a restrição severa quanto o alto consumo de sal podem afetar funções cognitivas.
Segundo os autores, manter níveis adequados de ingestão é importante para o funcionamento do cérebro e do intestino. O estudo também aponta a necessidade de novas pesquisas para definir limites seguros de consumo e entender se alterações na microbiota podem reduzir os efeitos sobre a memória.
Os experimentos foram feitos usando camundongos com microbiota intestinal de origem humana. Os animais foram alimentados por 14 semanas com dietas de baixo, normal ou alto teor de sal.
Essas moléculas participam dos processos de comunicação entre células nervosas e da formação de novas memórias. A diminuição desses elementos esteve associada ao pior desempenho nos testes.
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