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Ex-PM do Paraná vira réu por prestar serviços para chefe do tráfico no litoral

Segundo MP, Ricardo Chiarello Marchesi avisava grupo criminoso sobre operações e outras informações internas da corporação. O g1 aguarda retorno da defesa.

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Ex-PM do Paraná vira réu por prestar serviços para chefe do tráfico no litoral

Ex-policial é denunciado por envolvimento com tráfico.

O ex-policial militar Ricardo Chiarello Marchesi virou réu por associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva por crimes quando ainda estava na corporação e atuava no litoral do Paraná.

A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que acusa o ex-PM de usar informações obtidas durante a atuação policial para ajudar um traficante que agia na região.

Segundo o MP-PR, em troca das informações, Ricardo recebeu vantagens de Márcio Padilha da Silva Costa, conhecido como "Bebezão" e apontado pelo Ministério Público como um dos principais comandantes do tráfico de drogas do litoral.

O g1 fez contato com a defesa dos acusados, e não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Conforme a denúncia, o ex-PM auxiliou o tráfico entre abril e agosto de 2022, em Paranaguá e Guaratuba. Na época, Ricardo estava no 9º Batalhão da Polícia Militar do Paraná e era comandante da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) de Guaratuba.

Ainda segundo a denúncia, Ricardo forneceu informações sobre operações policiais, mandados de prisão e abordagens, além de fazer consultas em sistemas policiais a pedido de Márcio.

Réu procurou traficante por conta própria, segundo denúncia.

Conforme o MP, em abril de 2022, Ricardo conseguiu o telefone de "Bebezão" e entrou em contato com ele se apresentando como um "policial corrupto" que trabalhava no setor operacional do Ministério Público.

O documento aponta que Ricardo fez uma contraproposta. Quando Márcio realizasse a próxima compra de drogas, deveria informar o endereço onde o fornecedor estaria.

Ricardo faria uma apreensão e, segundo o acordo descrito pelo MP-PR, parte da droga seria devolvida a Márcio. Outra parte seria vendida ao próprio traficante, que seria alvo da abordagem.

A proposta foi aceita, de acordo com a investigação.

As anotações foram feitas pelo próprio Ricardo e detalham a aproximação entre os dois. Os trechos foram retirados do celular do ex-policial, apreendido durante uma operação de busca e apreensão.

Em uma mensagem de 14 de agosto de 2022, Ricardo avisou Márcio sobre uma operação policial marcada para os dias seguintes e disse que os integrantes do grupo poderiam trabalhar “à vontade”.

Caminho limpo, irmãozão... Aproveita a brecha. Patrulha costeira e PF e ambiental na Ilha do Mel na quarta, quinta e sexta-feira", escreveu Ricardo.

Nos dias seguintes, segundo a denúncia, os repasses de informações continuaram.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) concluiu que o ex-PM se associou de forma permanente e estável para a prática do tráfico de drogas, prestando informações que conseguia como policial militar, enquanto o outro investigado cuidava da venda, depósito e transporte das drogas.

A denúncia aponta ainda que Ricardo fazia consultas em sistemas policiais a pedido de Márcio para verificar a existência de mandados de prisão.

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