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Encanto nas pétalas

Família de Toledo transforma paixão por orquídeas em negócio e legado de 25 anos.

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Encanto nas pétalas

As orquídeas sempre foram mais do que flores. São símbolos de afeto e memórias que atravessam gerações. Presentes em datas comemorativas e lembranças de momentos especiais, cada pétala guarda uma história, e cada broto que floresce carrega o cuidado de quem dedicou tempo, paciência e atenção à planta.

Essas plantas têm raízes profundas no tempo: estudos apontam que as orquídeas já existiam há mais de 80 milhões de anos. Por meio da análise de DNA de quase 2 mil espécies, pesquisadores descobriram que elas tiveram origem no Hemisfério Norte e, nos últimos 5 milhões de anos, se diversificaram nos trópicos, adaptando-se a diferentes ambientes.

Hoje, formam uma das maiores famílias de plantas do planeta, com cerca de 30 mil espécies.

Mas a beleza dessas plantas vai além do estudo científico. Quem se dedica ao cultivo aprende a observar detalhes como luz, umidade e condições das raízes. Cada espécie exige rotina e atenção, tornando o cultivo um exercício de paciência e cuidado.

Para algumas famílias, essa dedicação acaba se transformando também em legado.

Em Toledo, no oeste do Paraná, a família Dalmazzo transformou parte da propriedade em um espaço que expressa essa paixão. O Orquidário Ana Maria nasceu da herança afetiva que Ana Maria recebeu da mãe: o gosto pelas plantas.

Hoje, a estufa construída pela família tem cerca de 1. 800 metros quadrados e abriga mais de 32 mil plantas. Ao longo de 25 anos, os Dalmazzo construíram não apenas um negócio, mas um espaço dedicado às flores.

O início dessa história remonta às lembranças da infância de Ana Maria, que aprendeu a gostar de plantas observando a mãe cultivar violetas e samambaias. Uma muda de orquídea presenteada por ela se tornou símbolo desse amor familiar.

O marido, Orlando, acostumado à lida na lavoura em Toledo, percebeu naquele pequeno cultivo um potencial que ia além de um passatempo. O casal começou com uma pequena estrutura e dez mudas.

Uma geada nos anos 2000 destruiu quase todas as plantas, mas também marcou o início de uma nova etapa. O casal decidiu recomeçar e construiu a primeira estufa.

Os primeiros anos foram marcados por aprendizado e desafios. Sem internet e com pouco acesso a fornecedores, o casal desenvolveu boa parte do conhecimento na prática.

Ana Maria também recorda os desafios relacionados ao cultivo: “Tivemos desafios com o clima, o que eu podia pôr na mesma estufa, sombreamento, os tipos, as variedades, porque nem todas são iguais e cada uma exige seu cuidado.

Um dia um colega mais experiente nos disse: ‘o ideal é não colocar todas no mesmo lugar, espalhe-as’. Levamos isso a sério e hoje cada planta tem seu lugar”.

A participação em feiras também ajudou a divulgar o trabalho da família e ampliar a troca de conhecimento. Ana Maria também recorda do momento em que iniciaram exposições e se juntaram à organização de orquidófilos do Brasil.

Hoje, o orquidário participa principalmente da feira municipal e mantém o foco na produção e no atendimento local.

O dia a dia no Orquidário Ana Maria é intenso. No verão, a rega é feita várias vezes por semana, a adubação é semanal e o replantio faz parte da rotina. Ana Maria destaca ainda o tutoramento das flores, técnica que utiliza varetas para sustentar as plantas, como uma das atividades importantes no cultivo.

As mudas chegam em estágio inicial e passam por um processo de adaptação ao clima local. Além das orquídeas, a família cultiva suculentas, samambaias e bromélias, tornando o espaço diversificado.

Entre as orquídeas, as Cattleya estão entre as mais procuradas, além de espécies mais delicadas e específicas, buscadas por colecionadores.

As estufas também recebem visitantes de diferentes regiões do Brasil e até do exterior, atraídos pela variedade de plantas e pela experiência de conhecer o espaço.

Durante a pandemia, o movimento teve uma mudança inesperada. Nos primeiros dias, as vendas pararam, mas, pouco depois, a procura aumentou.

Para a família, o Orquidário é mais do que um negócio: é um legado construído ao longo de décadas. Ana Maria resume a trajetória como uma “construção de um sonho”.

Para Orlando, a palavra que define a história é “sucesso”.

O planejamento atual está voltado ao cultivo, ao atendimento e à criação de experiências para quem visita o orquidário.

Ana Maria destaca a reação dos visitantes, muitos vindos de outras cidades e, principalmente, pessoas mais velhas que se encantam com o espaço.

No Orquidário Ana Maria, as orquídeas mostram que o tempo dedicado ao cultivo pode criar memórias que florescem e se perpetuam. A paixão de uma família ganhou forma, cor e perfume, transformando-se em um legado vivo que conecta gerações e inspira quem passa por seus corredores.

Texto produzido por Maria Heloísa Nunes, acadêmica do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 24ª edição da Revista Verbo, veiculada na 5ª edição do City Farm FAG.

Em números

  • As têm raízes profundas no tempo: estudos apontam que as orquídeas já existiam há mais de 80 milhões de anos
  • Por meio da análise de DNA de quase 2 mil espécies, pesquisadores descobriram que elas tive
  • Ram origem no Hemisfério Norte e, nos últimos 5 milhões de anos, se diversificaram nos trópicos, adaptand
  • Hoje, formam uma das maiores famílias de plantas do planeta, com cerca de 30 mil espécies

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