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Advogado criou cartel das cantinas de presídios do RJ enquanto estava preso, diz MPRJ

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Advogado criou cartel das cantinas de presídios do RJ enquanto estava preso, diz MPRJ

Um dos advogados alvos da segunda fase da Operação Snack Time, que investiga a chamada “máfia das cantinas” nos presídios do Rio, teve a ideia de montar o esquema de fraude enquanto ainda estava preso.

Segundo as investigações do Ministério Público do Rio (MPRJ), Leandro Rodrigues Mendonça iniciou o cartel durante o período em que cumpria pena por fraude no seguro de trânsito DPVAT e, depois de solto, colocado o esquema em prática.

Leandro e o também advogado Alexandre Costa da Silva estão entre os 22 denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).

A Justiça aceitou a denúncia, e os investigados se tornaram réus por organização criminosa e fraude em licitação.

Segundo o MPRJ, o grupo teria atuado durante cerca de dez anos, entre 2015 e 2024, para eliminar concorrentes e controlar as licitações para exploração das cantinas instaladas nos presídios do estado.

Em uma das disputas, os envolvidos teriam vencido 38 dos 40 lotes.

A investigação aponta ainda que diversas empresas que apareciam como concorrentes nos processos de licitação, na verdade, estariam submetidas a um mesmo centro de decisão.

O objetivo, segundo o MPRJ, era aparentar competitividade e impedir a entrada de empresas de fora do grupo.

Entre os principais alvos está o policial penal aposentado Ronaldo Barbosa Souza. Durante as buscas realizadas nesta terça-feira (1º), agentes encontraram na casa dele anéis, pulseiras, colares e dinheiro em espécie.

O MPRJ afirma que Ronaldo fazia parte do grupo que controlava a distribuição dos lotes das cantinas entre as empresas envolvidas no esquema.

A denúncia também aponta a participação de um agente público: o ex-subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento Rafael Rodrigues de Andrade. De acordo com o Ministério Público, ele teria usado o cargo para favorecer o cartel e desclassificar empresas que não participavam do esquema.

Rafael foi preso em 2020 por suspeita de fraudar contratos de fornecimento de comida para o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, em investigação que antecedeu a Operação Snack Time.

A apuração sobre as fraudes nas cantinas começou em 2019, segundo as informações do Ministério Público. A primeira fase da Operação Snack Time foi realizada em novembro de 2024, quando foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.

O sistema de cantinas nos presídios do Rio foi encerrado em 2024. Atualmente, familiares de presos podem comprar produtos de alimentação e higiene pela internet.

A empresa responsável pela plataforma também venceu uma licitação.

Nesta terça-feira (1º), o Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços na capital, em Mesquita e em Duque de Caxias.

A TV Globo não teve acesso à defesa dos citados na reportagem.

A Seppen reforça que não compactua com quaisquer desvios de conduta e cometimento de crimes praticados por seus servidores, e ressalta seu compromisso com a transparência pública, operando sob o controle da legalidade para garantir a ordem do sistema prisional fluminense.”.

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