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Agronegócio

Tecnologia e parceria: a estratégia de uma gigante do processamento de tomate

Tecnologia e parceria com produtores ajudam empresa a ampliar a produção de tomate no Brasil e reduzir a dependência de pasta importada

4 min de leitura
Agronegócio — imagem padrão

A produção de tomate em escala industrial exige mais do que uma boa lavoura. Para garantir matéria-prima com características específicas e em volume suficiente, a estratégia envolve desde a escolha da semente até a chegada do fruto à fábrica.

É nesse processo que duas frentes ganharam espaço nos últimos anos: tecnologia e parceria com produtores. Segundo o CEO da Kraft Heinz, Ariel Grunkraut, os investimentos ajudaram a empresa a reduzir a dependência da importação de pasta de tomate e alcançar a autossuficiência na produção do insumo no Brasil.

A mudança foi construída ao longo dos últimos anos e envolve também o desenvolvimento de variedades adaptadas às diferentes condições de cultivo.

Escolha da semente começa antes do plantio.

O tomate é uma cultura sensível e, segundo Grunkraut, a escolha do híbrido precisa considerar as condições específicas de cada área.

No Brasil, a empresa tem atualmente mais de 150 tipos diferentes de sementes à disposição da equipe de agricultura, de acordo com o executivo. A escolha do material utilizado em cada área é feita em conjunto com os produtores parceiros.

A companhia também conta, segundo Grunkraut, com uma empresa de tecnologia na Califórnia voltada ao desenvolvimento de sementes.

No país, a operação trabalha com cerca de 5 mil hectares nas culturas de tomate, milho e pepino. Aproximadamente metade dessa área, 2,5 mil hectares, é destinada ao tomate.

A produção envolve cerca de 15 parceiros, conforme os números apresentados pelo CEO. Um deles é o produtor Fábio Alves, que cultiva mais de 400 hectares de tomate e espera colher cerca de 130 toneladas por hectare nesta safra.

Para o produtor, o fornecimento de sementes e mudas faz diferença no dia a dia da lavoura. Segundo Alves, receber as mudas já produzidas pelo viveiro facilita o trabalho no campo.

Apesar dos avanços em tecnologia e manejo, o clima continua entre as principais preocupações de quem está no campo. Alves chama atenção para o risco de chuvas durante a colheita, já que o tomate é cultivado diretamente no solo.

Segundo o produtor, a disponibilidade de produtos defensivos específicos para a cultura também contribui para dar mais segurança à condução da lavoura.

Tomate precisa chegar rápido à indústria.

Depois da colheita, o tempo passa a ser outro fator importante. Segundo Grunkraut, o tomate precisa chegar à fábrica em menos de seis horas.

Na unidade de Nerópolis (GO), a empresa recebe, em média, 100 caminhões de tomate por dia.

A velocidade é parte de um processo que começa ainda no campo e termina na seleção da matéria-prima utilizada na indústria. No caso do tomate destinado ao ketchup Heinz, o executivo citou critérios como cor, teor de açúcar e viscosidade.

A busca por uma maior oferta de matéria-prima nacional também passou por investimentos em tecnologia, processos e estrutura industrial.

Quando a empresa começou a ampliar a presença da marca Heinz no país, há cerca de dez anos, parte da pasta utilizada precisava ser trazida da Califórnia, segundo o CEO.

O cenário mudou em 2025, quando, pela primeira vez, toda a pasta de tomate Heinz utilizada no Brasil foi produzida nacionalmente.

A evolução não ocorreu apenas pela expansão da área cultivada. Segundo Grunkraut, a companhia vem aumentando o volume produzido sem ampliar proporcionalmente a área utilizada.

Para a safra atual, a empresa estima produzir 15% mais tomate, praticamente com a mesma área do ano anterior. O executivo também afirmou que houve redução no consumo de água ao longo desse processo.

Hoje, a produção brasileira destinada à empresa chega a aproximadamente 5 bilhões de tomates por ano, de acordo com os números apresentados por Grunkraut.

Para ele, o aumento da oferta nacional também abriu espaço para o desenvolvimento de produtos no país. O executivo citou o extrato de tomate e o ketchup zero açúcar, lançados nos últimos meses.

No caso do ketchup zero, a retirada do açúcar exigiu uma mudança na formulação. Grunkraut explica que foi necessário aumentar a quantidade de tomate para compensar a perda de consistência provocada pela retirada do ingrediente.

Para quem está na lavoura, a relação com a cultura vai além dos números de produção. Alves resume em uma palavra o que o tomate representa para ele: “alegria”.

O produtor também diz que é prazeroso encontrar no supermercado um produto feito com o tomate que saiu da própria propriedade.

Em números

  • No país, a operação trabalha com cerca de 5 mil hectares nas culturas de tomate, milho e pepino
  • Aproximadamente metade dessa área, 2,5 mil hectares, é destinada ao tomate
  • Um deles é o produtor Fábio Alves, que cultiva mais de 400 hectares de tomate e espera colher cerca de 130 toneladas
  • Hoje, a produção brasileira destinada à empresa chega a aproximadamente 5 bilhões de tomates por ano, de acordo com os números apre

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