Além de exercer o papel de pecuarista, Maísa tem outra importante função: a maternidade. Ela é mãe de uma menina de 2 anos e conta com a ajuda dos pais para conciliar a criação da filha com o trabalho na propriedade.
E há dias em que maternidade e pecuária literalmente seguem juntas. “Quando precisa, eu levo ela junto. Para colocar o trato para o gado, ela vai junto no trator.
A relação de Maísa com a vida rural começou ainda na infância. Ela nasceu em uma família que morava em Paraíso do Tocantins, onde o pai trabalhava com um mercado.
A mudança para Mato Grosso ocorreu quando ela tinha 5 anos.
A mãe tinha familiares em Vila Rica e, depois da venda do comércio no Tocantins, a família decidiu se mudar. Inicialmente, viveram na cidade até surgir a oportunidade de ir para a propriedade onde Marina mora até hoje.
O pai não tinha experiência com a atividade rural quando chegou à região e aprendeu o trabalho depois da mudança. Pelo lado materno, no entanto, já havia ligação com o setor: o avô de Maísa tinha propriedade rural e trabalhava com leite.
Foi nesse ambiente que ela cresceu e aprendeu a rotina que hoje compartilha com milhares de pessoas.
Ao contrário do irmão, que deixou a propriedade para estudar no Tocantins, Maísa nunca teve como objetivo construir uma vida longe do campo. Em determinado momento, chegou a considerar cursar Medicina Veterinária, mas até essa possibilidade estava relacionada à fazenda.
Entre as razões para permanecer está justamente o estilo de vida encontrado no interior.
Embora tenha crescido acompanhando a atividade dos pais, Maísa considera os 20 anos como o início de sua própria trajetória como pecuarista. Foi nessa idade que comprou as primeiras matrizes.
Hoje, a rotina familiar envolve aproximadamente mil animais e diferentes atividades. Marina ajuda o pai no trabalho com o gado e no semiconfinamento, participa do preparo do trato e da produção de silagem, além de criar pintinhos para venda, comercializar ovos e ajudar na venda de leite na cidade.
Mas, quando precisa apontar a atividade que ocupa a maior parte de seu tempo, não há dúvida: “É mais a lida aqui, com gado, na pecuária mesmo”.
Com 1,54 metro de altura e atuando em uma atividade ainda fortemente associada ao universo masculino, Maísa conta que não é raro encontrar pessoas surpresas ao descobrir que ela trabalha diariamente com gado.
Ela diz encarar as reações com bom humor. “Eu levo bem na esportiva. Falo: ‘Tamanho não é documento’.”.
O trabalho na propriedade é feito basicamente por Maísa e pelos pais. Os três se dividem para cuidar dos animais e das demais atividades da fazenda.
Rotina no campo viralizou nas redes.
A exposição da vida rural começou de maneira despretensiosa. Marina publica conteúdos nas redes sociais há cerca de cinco anos, mas foi mais recentemente que passou a direcionar o perfil principalmente para a pecuária.
Um dos primeiros vídeos a viralizar o trabalho dela com o gado no curral. A publicação atingiu quase 1 milhão de seguidores, segundo Maísa. “Foi onde eu comecei a ganhar mais seguidores.”.
Maísa percebeu que a simplicidade da rotina tinha apelo inclusive para quem já não vive mais no meio rural. “Recebo muitas mensagens de pessoas que moravam na roça e tiveram que sair para a cidade.
Elas acompanham os meus vídeos justamente para ter essas lembranças de como é morar na roça.”.
Outro público começou a aparecer depois que ela publicou sua trajetória na pecuária: pessoas interessadas em ingressar na atividade.
A visibilidade abriu novas possibilidades profissionais. Maísa passou a fechar trabalhos publicitários e parcerias com empresas, principalmente relacionadas ao universo agro, mas também com marcas de roupas, produtos domésticos e outros segmentos.
A experiência de sair do ambiente virtual e perceber o alcance dos vídeos aconteceu de forma mais intensa durante a Festa de Peão de Barretos, em agosto. Acostumada a viver em uma cidade pequena e viajar pouco, Maísa foi abordada por seguidores que reconheceram seu trabalho.
Se administrar a rotina da propriedade já exige dedicação, Marina precisou aprender a conciliá-la com a maternidade.
Ela se casou aos 19 anos e permaneceu aproximadamente quatro anos no relacionamento. Hoje separada, afirma que o pai da menina não participa dos cuidados com a filha.
Na propriedade, são os avós maternos que formam sua principal rede de apoio.
A menina, mesmo com apenas 2 anos, já acompanha alguns momentos da rotina rural.
Maísa acredita que o contato diário com os animais pode fazer com que a filha também desenvolva uma ligação com o campo.
A possibilidade de futuramente precisar passar mais tempo na cidade por causa dos estudos da filha é uma das poucas situações que fazem Marina imaginar uma rotina diferente.
Ao falar sobre o futuro, Maísa conecta a expansão da atividade pecuária ao crescimento conquistado nas redes sociais.
Mais do que aumentar o número de seguidores, ela diz querer usar a própria experiência para conversar com outras mulheres, especialmente aquelas que trabalham no campo, são mães ou precisam reconstruir a vida depois de uma separação.
Para Marina, trabalhar na pecuária não significa abrir mão de outros aspectos de sua identidade.
Mesmo com o crescimento nas redes, Maísa diz não ter planos imediatos de abandonar a atividade que deu origem ao conteúdo. “Eu gosto muito da pecuária. Quero crescer cada vez mais no ramo.”.
Em números
- A publicação atingiu quase 1 milhão de seguidores, segundo Maísa
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