Ir para o conteúdo

Quarta-feira, 7 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 33°C Céu limpo

Agronegócio

Jovem faz sucesso nas redes sociais ao compartilhar rotina como pecuarista e mãe

Aos 24 anos, Marina Rossoni divide o tempo entre ajudar os pais na criação de gado em Mato Grosso e cuidar da filha de 2 anos

5 min de leitura
Agronegócio — imagem padrão

Além de exercer o papel de pecuarista, Maísa tem outra importante função: a maternidade. Ela é mãe de uma menina de 2 anos e conta com a ajuda dos pais para conciliar a criação da filha com o trabalho na propriedade.

E há dias em que maternidade e pecuária literalmente seguem juntas. “Quando precisa, eu levo ela junto. Para colocar o trato para o gado, ela vai junto no trator.

A relação de Maísa com a vida rural começou ainda na infância. Ela nasceu em uma família que morava em Paraíso do Tocantins, onde o pai trabalhava com um mercado.

A mudança para Mato Grosso ocorreu quando ela tinha 5 anos.

A mãe tinha familiares em Vila Rica e, depois da venda do comércio no Tocantins, a família decidiu se mudar. Inicialmente, viveram na cidade até surgir a oportunidade de ir para a propriedade onde Marina mora até hoje.

O pai não tinha experiência com a atividade rural quando chegou à região e aprendeu o trabalho depois da mudança. Pelo lado materno, no entanto, já havia ligação com o setor: o avô de Maísa tinha propriedade rural e trabalhava com leite.

Foi nesse ambiente que ela cresceu e aprendeu a rotina que hoje compartilha com milhares de pessoas.

Ao contrário do irmão, que deixou a propriedade para estudar no Tocantins, Maísa nunca teve como objetivo construir uma vida longe do campo. Em determinado momento, chegou a considerar cursar Medicina Veterinária, mas até essa possibilidade estava relacionada à fazenda.

Entre as razões para permanecer está justamente o estilo de vida encontrado no interior.

Embora tenha crescido acompanhando a atividade dos pais, Maísa considera os 20 anos como o início de sua própria trajetória como pecuarista. Foi nessa idade que comprou as primeiras matrizes.

Hoje, a rotina familiar envolve aproximadamente mil animais e diferentes atividades. Marina ajuda o pai no trabalho com o gado e no semiconfinamento, participa do preparo do trato e da produção de silagem, além de criar pintinhos para venda, comercializar ovos e ajudar na venda de leite na cidade.

Mas, quando precisa apontar a atividade que ocupa a maior parte de seu tempo, não há dúvida: “É mais a lida aqui, com gado, na pecuária mesmo”.

Com 1,54 metro de altura e atuando em uma atividade ainda fortemente associada ao universo masculino, Maísa conta que não é raro encontrar pessoas surpresas ao descobrir que ela trabalha diariamente com gado.

Ela diz encarar as reações com bom humor. “Eu levo bem na esportiva. Falo: ‘Tamanho não é documento’.”.

O trabalho na propriedade é feito basicamente por Maísa e pelos pais. Os três se dividem para cuidar dos animais e das demais atividades da fazenda.

Rotina no campo viralizou nas redes.

A exposição da vida rural começou de maneira despretensiosa. Marina publica conteúdos nas redes sociais há cerca de cinco anos, mas foi mais recentemente que passou a direcionar o perfil principalmente para a pecuária.

Um dos primeiros vídeos a viralizar o trabalho dela com o gado no curral. A publicação atingiu quase 1 milhão de seguidores, segundo Maísa. “Foi onde eu comecei a ganhar mais seguidores.”.

Maísa percebeu que a simplicidade da rotina tinha apelo inclusive para quem já não vive mais no meio rural. “Recebo muitas mensagens de pessoas que moravam na roça e tiveram que sair para a cidade.

Elas acompanham os meus vídeos justamente para ter essas lembranças de como é morar na roça.”.

Outro público começou a aparecer depois que ela publicou sua trajetória na pecuária: pessoas interessadas em ingressar na atividade.

A visibilidade abriu novas possibilidades profissionais. Maísa passou a fechar trabalhos publicitários e parcerias com empresas, principalmente relacionadas ao universo agro, mas também com marcas de roupas, produtos domésticos e outros segmentos.

A experiência de sair do ambiente virtual e perceber o alcance dos vídeos aconteceu de forma mais intensa durante a Festa de Peão de Barretos, em agosto. Acostumada a viver em uma cidade pequena e viajar pouco, Maísa foi abordada por seguidores que reconheceram seu trabalho.

Se administrar a rotina da propriedade já exige dedicação, Marina precisou aprender a conciliá-la com a maternidade.

Ela se casou aos 19 anos e permaneceu aproximadamente quatro anos no relacionamento. Hoje separada, afirma que o pai da menina não participa dos cuidados com a filha.

Na propriedade, são os avós maternos que formam sua principal rede de apoio.

A menina, mesmo com apenas 2 anos, já acompanha alguns momentos da rotina rural.

Maísa acredita que o contato diário com os animais pode fazer com que a filha também desenvolva uma ligação com o campo.

A possibilidade de futuramente precisar passar mais tempo na cidade por causa dos estudos da filha é uma das poucas situações que fazem Marina imaginar uma rotina diferente.

Ao falar sobre o futuro, Maísa conecta a expansão da atividade pecuária ao crescimento conquistado nas redes sociais.

Mais do que aumentar o número de seguidores, ela diz querer usar a própria experiência para conversar com outras mulheres, especialmente aquelas que trabalham no campo, são mães ou precisam reconstruir a vida depois de uma separação.

Para Marina, trabalhar na pecuária não significa abrir mão de outros aspectos de sua identidade.

Mesmo com o crescimento nas redes, Maísa diz não ter planos imediatos de abandonar a atividade que deu origem ao conteúdo. “Eu gosto muito da pecuária. Quero crescer cada vez mais no ramo.”.

Em números

  • A publicação atingiu quase 1 milhão de seguidores, segundo Maísa

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Agronegócio
Mundo — imagem padrão
Mundo

Sete de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio

Nesse intervalo de três anos, houve a queda do governo de Bashad al-Assad, na Síria, a guerra de Israel no Líbano com o Hezbollah, a guerra de Israel e Estados Unidos (EUA) contra o Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz

Em Mundo